Estudo revela que imunocastração supera cirurgia no ganho de peso e no bem-estar de suínos em Minas Gerais


Estudo revela que imunocastração supera cirurgia no ganho de peso e no bem-estar de suínos em Minas Gerais

Publicado em 19 de março de 2026 às 19:13

Uma pesquisa conduzida em Janaúba (MG) e publicada na Revista Sociedade Científica (volume 9, 2026) traz dados práticos que interessam diretamente ao produtor rural e ao mercado de carne suína. O estudo comparou, lado a lado, dois grupos de suínos – um castrado cirurgicamente e outro imunocastrado – e concluiu que o método imunológico não só evita a dor da cirurgia, como resulta em melhor desempenho ponderal e maior lucratividade na fase final de terminação.

Por que essa pesquisa importa?

A suinocultura brasileira vive um momento de transformação. Até 2030, conforme a Instrução Normativa Nº 113/2020 do MAPA, toda castração cirúrgica deverá ser feita com analgesia e anestesia. Enquanto isso, a imunocastração (vacina anti-GnRH) já aparece como uma solução limpa, moderna e tecnicamente validada. O estudo dos pesquisadores José Eduardo Jardim Murta, Mayra Santos Nogueira e Cláudio Luiz Correa Arouca – realizado na Granja Catanduva – oferece uma resposta objetiva: afinal, o suíno imunocastrado rende tão bem quanto o castrado cirurgicamente?

Os números da Granja Catanduva

No experimento, dois lotes foram acompanhados durante a fase de terminação (dos 120 aos 148 dias de vida). Enquanto o grupo cirúrgico (15 animais) teve o procedimento tradicional na primeira semana de vida, o grupo imunocastrado (14 animais) recebeu duas doses da vacina (intervalo de quatro semanas). O resultado surpreendeu: embora o peso inicial do lote imunocastrado fosse menor (média de 73 kg contra 90,66 kg dos cirúrgicos), ao final do ciclo os primeiros alcançaram média de 133,29 kg/animal, superando os 122,06 kg/animal do grupo cirúrgico. O ganho de peso diário dos imunocastrados foi 7,4% superior, confirmando a tendência apontada por outros autores (Santos, 2012) de que a técnica pode incrementar a eficiência produtiva.

Vale destacar que o custo da vacinação (R$ 14,62 por animal) foi mais do que compensado pelo ganho de peso. Considerando o valor da arroba suína (R$ 7,00/kg), cada animal imunocastrado gerou um lucro aproximado de R$ 183,62 após descontadas as doses.

O que dizem os autores

Para os pesquisadores, o dado mais relevante não é apenas o ganho de peso, mas o bem-estar animal. “A imunocastração demonstra ser viável por permitir melhor manejo e bem-estar dos animais, evitando o processo cirúrgico de castração”, escrevem nas considerações finais. Eles também lembram que a primeira dose da vacina atua como sinalização imunológica, sem causar regressão hormonal abrupta, mantendo o comportamento de machos inteiros até a segunda dose, o que é positivo para o crescimento muscular.

A ausência de hormônios testiculares após a imunização reduz os níveis de androstenona e escatol – compostos responsáveis pelo “odor sexual” na carne –, garantindo qualidade à carcaça. A análise dos testículos dos animais imunocastrados (média de 0,407 kg) confirmou a eficácia do bloqueio hormonal, parâmetro alinhado à literatura internacional (Pauly, 2009; Gispert, 2010).

Contexto técnico: cirurgia versus vacina

A castração cirúrgica, embora eficiente no controle do odor, é invasiva e dolorosa, realizada historicamente sem anestesia. Já a imunocastração utiliza um análogo inativo do GnRH que estimula a produção de anticorpos, inibindo temporariamente a função testicular. Isso reduz o estresse, evita feridas e infecções, e melhora a conversão alimentar – como demonstrado por diversos estudos citados no artigo (Vicari Junior, 2016; Vasquez Bruno, 2013; Morales, 2012).

O trabalho publicado na Revista Sociedade Científica reforça a tendência mundial de substituição do método arcaico pelo imunológico, em linha com as exigências futuras da legislação brasileira e com a demanda do consumidor por sistemas produtivos mais éticos.

Sobre os autores e a publicação

A pesquisa foi assinada por:

O artigo completo, intitulado “Desempenho ponderal de suínos imunocastrados ou castrados cirurgicamente”, está disponível na Revista Sociedade Científica, edição atual (2026).

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