Presente de Parente é a Principal Porta de Entrada de Animais Silvestres Ilegais nas Casas do Acre
Publicado em: 22 de outubro de 2025
Um estudo chocante realizado em Rio Branco, no coração da Amazônia, revelou que a maior parte dos papagaios, periquitos e outros animais silvestres mantidos ilegalmente em casa não foram comprados em feiras clandestinas, mas sim recebidos como presente de amigos e familiares. A pesquisa, publicada na renomada Revista Sociedade Científica, desvendou os caminhos secretos que levam a fauna da floresta para dentro dos lares urbanos, mostrando que o problema está mais perto do que imaginamos, muitas vezes mascarado por um gesto de afeto.
O Presente que a Floresta Não Pode Dar
Imagine receber um lindo papagaio ainda filhote de presente de um primo. Ou um periquito verde vibrante de um amigo. Soa inofensivo, até especial, não é? Mas é aí que mora o perigo. Os cientistas descobriram que quase 7 em cada 10 animais silvestres encontrados nas residências de Rio Branco chegaram dessa forma. As pessoas aceitam o “presente”, muitas vezes para alegrar os filhos, sem questionar a origem ilegal do animal. Esse costume, aparentemente inocente, é o maior combustível para um ciclo que esvazia a floresta e condena animais à vida em cativeiro.
O Comércio Discreto: Não Há Mercado, Há Encomendas
Diferente de grandes cidades onde existem feiras ilegais, o comércio em Rio Branco é sorrateiro. A segunda forma mais comum de obter um animal silvestre é através da compra por encomenda. Um filho vê um jabuti (uma tartaruga terrestre) na casa de alguém e pede um igual. Os pais, então, procuram alguém que “conhece alguém” que pode conseguir o animal. É um mercado que funciona na base do “boca a boca”, tornando-o muito difícil de ser detectado e combatido pelas autoridades.
Por que as Pessoas Fazem Isso? A Força da Cultura
A pesquisa foi a fundo para entender o perfil de quem cria esses animais. Os resultados quebraram estereótipos: não é uma questão de falta de estudo ou idade. Pessoas de todos os níveis de escolaridade e faixas etárias foram encontradas praticando a criação ilegal. O fator determinante foi cultural. Muitas famílias em Rio Branco têm raízes no interior, onde o contato direto com a floresta e seus animais é parte da vida. Ao se mudarem para a cidade, trazem consigo esse hábito, essa conexão cultural com a posse de animais silvestres, sem perceber o impacto que isso causa hoje.
O Preço Invisível do Seu “Bicho de Estimação” Diferente
Ter um animal silvestre em casa tem um custo que vai muito além da gaiola e da comida. Cada papagaio tirado da floresta é uma futura geração de papagaios que não vai nascer. Esses animais não são domesticados como cães e gatos; eles pertencem à natureza. Sua retirada causa um desequilíbrio ambiental, contribuindo para o declínio populacional e, em alguns casos, para a extinção de espécies já ameaçadas. Além do dano ecológico, há o sofrimento animal e o risco de transmissão de doenças.
O que Fazer Para Mudar Essa Realidade?
Os pesquisadores são claros: a solução não está apenas na polícia. É preciso uma mudança de mentalidade. Conscientizar é a chave. Recusar um animal silvestre como presente, explicando os motivos, é um primeiro passo poderoso. Denunciar à polícia ambiental quando souber de casos de venda ou criação também é fundamental. Proteger a Amazônia começa com gestos simples, dentro de nossas próprias casas e círculos sociais.
Uma Pesquisa que Ilumina o Problema
Este estudo detalhado, conduzido por pesquisadores do IFAC, UNINORTE e Universidade Estadual de Maringá, foi publicado na Revista Sociedade Científica. Conheça mais sobre este e outros trabalhos de impacto na Edição Atual (2025) e na Edição Anterior (2024) da revista.
Para Saber Mais e Ajudar
O artigo científico completo “Wild Animals as Pets in Rio Branco, Acre, Brazil” está disponível para leitura em: https://show.scientificsociety.net/2023/10/wild-animals-as-pets-in-rio-branco-acre-brazil/.
Se você testemunhar a venda ou criação ilegal de animais silvestres, denuncie ao IBAMA através da Linha Verde: 0800 061 8080.
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