Estudo revela a toxicidade de agrotóxicos em lavouras de Grajaú-MA e seus impactos ambientais


 

Estudo revela a toxicidade de agrotóxicos em lavouras de Grajaú-MA e seus impactos ambientais

Publicado: 7 de novembro de 2024.

 

No contexto de expansão agrícola brasileira, onde o uso de defensivos agrícolas tem se mostrado essencial para a produtividade, o estado do Maranhão ganha destaque, com a cidade de Grajaú-MA emergindo como uma das principais áreas de cultivo de soja, arroz e cana-de-açúcar. Entretanto, a utilização intensiva de agrotóxicos nessas lavouras acarreta preocupações com o meio ambiente e com a saúde das comunidades. Em recente pesquisa publicada na Revista Sociedade Científica, pesquisadores analisaram a toxicidade dos pesticidas empregados nas plantações de Grajaú e seus efeitos ao ecossistema.

O estudo, liderado por Ludyane Nascimento Costa, Afonso Henrique Tito Coimbra e Guilherme Sousa Mota, investigou os ingredientes ativos mais utilizados nas lavouras da região, com foco nos impactos ambientais e na segurança dos trabalhadores rurais. A pesquisa aponta que, embora haja um controle rigoroso sobre o uso de equipamentos de proteção individual (EPIs) e o cumprimento dos limites de aplicação de agrotóxicos, ainda há produtos de alta toxicidade que representam riscos à natureza e à saúde humana. Em Grajaú, o uso de compostos como glifosato, atrazina e mancozeb é frequente, sendo considerados altamente tóxicos pela ANVISA e de difícil degradação.

A edição atual da revista detalha a metodologia adotada pelos pesquisadores, incluindo entrevistas com representantes das empresas locais Agro-T e Agro-Z e análises laboratoriais de amostras de solo. A equipe investigou os defensivos agrícolas usados e verificou que os produtos variam quanto à toxicidade e aos efeitos ambientais. A aplicação desses compostos segue orientações de segurança, mas o impacto cumulativo e os riscos ecológicos persistem. Os autores destacam que o desequilíbrio ambiental provocado pelo uso de pesticidas contribui para a proliferação de pragas resistentes, aumentando a demanda por defensivos mais potentes e criando um ciclo preocupante.

As análises dos pesquisadores demonstram que, mesmo com regulamentações e restrições, os efeitos dos pesticidas no ecossistema são alarmantes, sobretudo para organismos essenciais, como as abelhas, que desempenham papel crucial na polinização. A pesquisa ainda sugere alternativas de práticas agrícolas mais sustentáveis e incentiva o uso de biocidas menos agressivos. Dados como esses são raros no Maranhão, reforçando a importância de estudos contínuos para o entendimento dos efeitos dos defensivos químicos em ambientes de alta produção agrícola.

O artigo completo pode ser acessado na mostra da revista e está disponível para consulta e download no portal da Revista Sociedade Científica.

Autores e Publicação

O estudo foi conduzido por Ludyane Nascimento Costa, Afonso Henrique Tito Coimbra e Guilherme Sousa Mota (Instituto Federal do Maranhão). A obra foi publicada na Revista Sociedade Científica (vol.7, n.1, p.5267-5278, 2024), que mantém seções atualizadas com o melhor da pesquisa científica.

 

 

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