Estudo no Pará Revela Alto Índice de Internações por Diarreia em Crianças e Relação com Saneamento Básico
Publicado em: 21 de outubro de 2025Pesquisa analisou mais de 200 mil internações no estado entre 2011 e 2021, apontando a falta de saneamento como fator crucial e a população infantil como a mais vulnerável.
O Cenário das Internações
O ano de 2012 foi o mais crítico do período analisado, com 24.756 internações registradas. As regiões de saúde Metropolitana I (19,05% dos casos), Tocantins (14,6%) e Metropolitana II (13,6%) concentraram os maiores números absolutos. A análise demográfica mostrou uma distribuição quase igual entre os sexos, com uma ligeira predominância em mulheres (51,2%). No entanto, o dado mais impactante se refere à faixa etária: crianças de 1 a 4 anos foram as mais hospitalizadas, seguidas por outros grupos pediátricos, evidenciando a extrema vulnerabilidade dos pequenos a essas infecções. Os pesquisadores categorizaram as internações com base na lista de Doenças Relacionadas ao Saneamento Ambiental Inadequado (DRSAI), utilizando os códigos da CID-10. A diarreia de origem infecciosa, uma doença que pode ser amplamente prevenida com acesso à água potável e esgotamento sanitário, lidera as causas de hospitalização nesse grupo.A Raiz do Problema: Saneamento e Determinantes Sociais
A introdução do artigo já situa o leitor no contexto mais amplo: a saúde não é apenas a ausência de doenças, mas um estado influenciado por variáveis ambientais e socioeconômicas. O estudo cita que o conceito de “processo saúde-doença” envolve relações sociais, culturais e políticas, e a garantia do direito à saúde vai além do cuidado assistencial, exigindo ações sobre seus determinantes. Nesse sentido, o saneamento básico é apontado como um pilar fundamental. A pesquisa contextualiza que, enquanto o Brasil passa por uma transição epidemiológica, com queda nas mortes por doenças infecciosas, as regiões Norte e Nordeste ainda carregam um pesado fardo dessas enfermidades, justamente as que possuem os piores índices de acesso a água tratada e coleta de esgoto. Um exemplo local citado no trabalho é o arquipélago do Marajó, onde parte da população não tem acesso à rede geral de abastecimento de água, sendo obrigada a recorrer a fontes alternativas de qualidade duvidosa, o que eleva o risco de doenças de veiculação hídrica.Considerações Finais e Caminhos para Soluções
As considerações finais do estudo são contundentes. A diarreia aguda é lembrada como a segunda maior causa de morte em crianças menores de 5 anos em todo o mundo, atrás apenas da pneumonia. No Pará, os meninos dessa faixa etária, especialmente os menores de 1 ano, mostraram-se ainda mais vulneráveis. Além do risco de morte, a diarreia infantil traz consequências profundas e duradouras, como desnutrição, retardo no crescimento e prejuízos ao desenvolvimento cognitivo, perpetuando ciclos de pobreza e desigualdade. Diante desse cenário, os pesquisadores são enfáticos ao recomendar:- Investimento máximo em saneamento básico: A adequação da infraestrutura é a medida de maior impacto para prevenir essas doenças.
- Educação em saúde e ambiental: Desenvolver ações de conscientização da população sobre higiene adequada, cuidados com a água de consumo e os perigos do descarte irregular de resíduos.
- Foco nas populações vulneráveis: Direcionar políticas públicas para crianças menores de 5 anos e comunidades com baixas condições socioeconômicas.
Autores da Pesquisa
O artigo é assinado por um grupo multidisciplinar de pesquisadores, majoritariamente vinculados ao Centro Universitário ITOP:- Karina Donizete Martins – Doutora em Educação pela UNR; Coordenadora de Iniciação Científica no Centro Universitário ITOP.
- Sinara de Fátima Freire dos Santos – Doutora em Ciências (Química Analítica e Inorgânica) pela Universidade de São Paulo (USP); Docente no curso de Farmácia do Centro Universitário ITOP.
- Juliano Vidal Barbosa Filho – Mestre em Ciências da Saúde pela UFT; Nutricionista e Coordenador do curso de Nutrição do Centro Universitário ITOP.
- Luciana Ramos de Macedo Teixeira – Mestra em Ciências da Saúde pela UFT; Nutricionista da Secretaria Estadual de Saúde e Docente no curso de Nutrição do Centro Universitário ITOP.
- Denilson Araújo Lira – Especialista em Biomédico pelo Centro Universitário Luterano de Palmas; Docente no curso de Biomedicina no Centro Universitário ITOP.
- Cássio Millomens Rodrigues – Mestre em Ciências do Ambiente pela UFT; Farmacêutico e Docente no curso de Farmácia do Centro Universitário ITOP.
- Kedma Maria Carneiro – Especialista em Farmácia Clínica e Atenção Farmacêutica; Assessora Especial na Secretária de Estado da Saúde (SESAU) e coordenadora do curso de Farmácia do Centro Universitário ITOP.
- Romer Antônio Carneiro de Oliveira Júnior – Especialista em Biotecnologia; Farmacêutico clínico e Docente no curso de Farmácia do Centro Universitário ITOP.
- Rafaela Julyana Barboza Devos – Mestra em Ciência e Tecnologia de Alimentos; Nutricionista e Docente nos cursos de Nutrição e Educação Física do Centro Universitário ITOP.
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Nota da Redação
O artigo original “Epidemiologia das Internações Hospitalares por Diarreia e Gastroenterite de Origem Infecciosa Presumível: Estudo no Estado do Pará (2011-2021)” está disponível para acesso integral em: https://show.scientificsociety.net/2023/10/epidemiologia-das-internacoes-hospitalares-por-diarreia-e-gastroenterite-de-origem-infecciosa-presumivel-estudo-no-estado-do-para-2011-2021/ Para saber mais sobre a Revista Sociedade Científica, acesse o site oficial.Incentivo à Publicação Científica
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