Estudo Revela: Uso Excessivo de Redes Sociais Causa Angústia Existencial em Nativos Digitais


 

Estudo Revela: Uso Excessivo de Redes Sociais Causa Angústia Existencial em Nativos Digitais

Publicado em: 30 de setembro de 2025

Um estudo publicado na Revista Sociedade Científica alerta para os graves impactos psicopatológicos que o uso excessivo da internet e das redes sociais está causando nos chamados “nativos digitais” – indivíduos que nasceram a partir da década de 80 e cresceram imersos na cultura digital. A pesquisa, intitulada “Modulação Social e os Desdobramentos Psicopatológicos que Atravessam os Nativos Digitais Inseridos no Ciberespaço da Internet, numa Perspectiva Fenomenológica Existencial“, utiliza o referencial teórico da fenomenologia existencial para analisar como a busca por validação online e a pressão por se enquadrar em “bolhas sociais” virtuais estão gerando sofrimento mental, crises de identidade e, em casos extremos, ideação suicida.

Baseando-se em autores como Heidegger, Sartre, Binswanger e Frankl, o trabalho demonstra que a liberdade individual está sendo comprometida por um processo de “modulação social” no ambiente virtual, onde os usuários priorizam agradar aos outros em detrimento de sua autenticidade. Dados da Fundação Getúlio Vargas (FGV) de 2019, citados no estudo, já indicavam que 41% dos jovens brasileiros relatavam que as redes sociais causavam sintomas como tristeza, ansiedade ou depressão.

Da Guerra Fria à Dependência Digital: A Evolução da Internet e sua Relação com o Ser Humano

O artigo traça um panorama histórico da internet, lembrando que sua origem está ligada a estratégias militares dos Estados Unidos durante a Guerra Fria, com a criação da ARPANET em 1958. A evolução da rede, desde os mainframes conectados por cabos na década de 80 até a internet de banda larga e os smartphones onipresentes dos dias atuais, transformou radicalmente a forma como nos relacionamos. O estudo cita o filósofo Pierre Lévy para definir o “ciberespaço” como um ambiente de comunicação que sintetiza as relações homem-máquina e homem-homem, criando uma “cibercultura” com seus próprios valores, técnicas e modos de pensamento.

Nesse contexto, a pesquisa argumenta que o ser humano se vê forçado a mergulhar nesse mundo virtual, muitas vezes por um “angustiante desejo de existir para o mundo e para o outro”. Abrir mão desse constructo tecnológico significaria viver à margem da sociedade contemporânea, tornando a conexão uma necessidade quase biopsicossocial.

A Modulação Social: A Prisão Invisível das Bolhas Virtuais

Um dos conceitos centrais do estudo é o de “modulação social”. No ambiente das redes sociais digitais, os usuários – os nativos digitais – buscam atrair seguidores com os mesmos interesses. No entanto, para manter esse público, sentem-se pressionados a satisfazer suas demandas ideológicas e comportamentais, criando uma “bolha virtual” onde não há espaço para pensamentos ou ações divergentes.

Segundo a perspectiva fenomenológica de Heidegger, abordada no artigo, quando o ser escolhe uma autenticidade que não é sua – tornando-se “inautêntico” – para seguir influências e tendências guiadas pela moda e pelo senso comum, seu pensamento crítico e sua essência ficam em segundo plano. Isso abre caminho para um “vazio existencial” que questiona o sentido da vida. O estudo cita Victor Frankl para whom esse vazio pode ser potencialmente patogênico.

O artigo ilustra esse conflito com exemplos de celebridades que sofreram as consequências da pressão online. A cantora Anitta, por exemplo, foi cobrada por seguidores para se posicionar sobre o assassinato da vereadora Marielle Franco, levando-a a criticar o “ódio gratuito dos internautas”. Já o ator Tom Holland e a atriz Daisy Ridley relataram ter se afastado das redes sociais para preservar sua saúde mental, citando a natureza “esmagadora” e “estimulante” dessas plataformas. A influenciadora digital Gkay chegou a declarar sentir-se um “monstro” após ser constantemente criticada por sua aparência.

As Psicopatologias do Mundo Conectado: Da Angústia à Normose

O estudo detalha uma série de psicopatologias e sofrimentos mentais associados ao uso excessivo da internet, analisados pela lente da fenomenologia existencial.

  • Angústia: Para Sartre, a angústia emerge quando o indivíduo toma consciência de sua liberdade absoluta e da responsabilidade por suas escolhas. No contexto digital, isso se manifesta quando o sujeito percebe que suas ações online visam mais agradar aos outros do que expressar sua verdadeira essência.
  • Solidão: Apesar da hiperconexão, a diminuição de interações, “likes” ou comentários – seja por monotonia ou “cancelamento” – pode gerar um profundo sentimento de solidão, especialmente para quem baseia suas relações majoritariamente no virtual.
  • Ansiedade: Rollo May define a ansiedade como uma ameaça ao sistema de valores do indivíduo. A crise existencial vivenciada no ciberespaço alienado impede os nativos digitais de se afirmarem como sujeitos autônticos.
  • Normose: Os psicólogos Pierre Weil, Jean-Yves Leloup e Roberto Crema cunharam esse termo para designar o conjunto de normas, valores e hábitos aprovados pela maioria que, inconscientemente, levam a sofrimentos e doenças. No contexto digital, transtornos como a nomofobia (medo de ficar sem celular), a síndrome do toque fantasma e a depressão de Facebook são exemplos de “normoses” contemporâneas.

Conclusões e Alertas: Liberdade e Responsabilidade na Era Digital

O estudo conclui, ecoando Sartre, que o homem está “condenado a ser livre”. Quando essa liberdade esbarra no desejo de se moldar ao senso comum das redes sociais, o indivíduo adoece. As plataformas digitais e a tecnologia não regredirão; pelo contrário, evoluirão ainda mais. Cabe, portanto, ao ser humano, por meio de sua liberdade, fazer escolhas conscientes para sua existência e arcar com suas consequências.

A pesquisa não propõe soluções simplistas ou faz julgamentos de valor, mas ressalta a urgência de a sociedade civil organizada estar atenta aos impactos da tecnologia na saúde mental dos jovens. O aumento vertiginoso de psicopatologias e até de taxas de suicídio entre essa população, muitas vezes ligado a um sentimento de falta de sentido na vida, serve como um grave alerta.

Sobre os Autores

O estudo foi conduzido pelos pesquisadores:

Publicação na Revista Sociedade Científica

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Acesso ao Artigo Original e Informações para Autores

O artigo completo “Modulação Social e os Desdobramentos Psicopatológicos que Atravessam os Nativos Digitais Inseridos no Ciberespaço da Internet, numa Perspectiva Fenomenológica Existencial” está disponível para acesso e download no link original: Acessar Artigo Original.

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