Bactérias Beneficiam Cultivo de Milho no Maranhão: Estudo Revela Aumento de 12,5% na Produtividade
11 de maio de 2025
Em um cenário de busca por práticas agrícolas mais sustentáveis, um estudo pioneiro realizado no leste do Maranhão demonstrou que o uso de bactérias promotoras de crescimento pode aumentar significativamente a produtividade do milho. Publicado na Revista Sociedade Científica, a pesquisa avaliou os efeitos da coinoculação de Azospirillum brasiliense e Bacillus subtilis no milho híbrido Feroz VIP 3, um cultivar resistente a pragas e adaptada às condições locais.
O estudo, conduzido por pesquisadores da Universidade Federal do Maranhão (UFMA) e outras instituições parceiras, revelou que a aplicação desses microrganismos resultou em um aumento de 12,5% no peso dos grãos, além de melhorias no diâmetro do colmo e na biomassa foliar. Esses resultados destacam o potencial dos bioinsumos para reduzir a dependência de fertilizantes químicos, alinhando-se às demandas por uma agricultura mais sustentável.
Contexto e Importância do Estudo
O milho é uma das culturas mais importantes do Brasil, com uma produção recorde de 118 milhões de toneladas na safra 2021/22. No entanto, desafios como a deficiência de nitrogênio no solo e as mudanças climáticas têm impactado a produtividade. Nesse contexto, a pesquisa buscou alternativas biológicas para suprir as necessidades nutricionais da planta, reduzindo os custos e o impacto ambiental.
O Azospirillum brasiliense, conhecido por fixar nitrogênio atmosférico, e o Bacillus subtilis, que promove o crescimento vegetal através da produção de fitohormônios, foram aplicados em diferentes doses. Os resultados mostraram que a combinação dessas bactérias, especialmente na dose de 5,0 L ha-1 de B. subtilis, potencializou o desenvolvimento das plantas, com destaque para o diâmetro do colmo e a massa seca das folhas.
Resultados e Implicações Práticas
O estudo utilizou um delineamento experimental em blocos casualizados, com tratamentos que incluíam a presença ou ausência de A. brasiliense e três doses de B. subtilis (0, 5,0 e 10,0 L ha-1). Entre as variáveis analisadas, o diâmetro do colmo foi significativamente maior nas plantas tratadas com a dose intermediária de B. subtilis e A. brasiliense. Já a massa seca das folhas atingiu seu pico na dose de 5,0 L ha-1, sugerindo que concentrações mais altas podem não ser tão eficazes.
Um dos achados mais relevantes foi o aumento de 12,5% no peso dos grãos nas plantas inoculadas com A. brasiliense, em comparação ao grupo controle. Esse resultado reforça o papel dessa bactéria na melhoria da produtividade, embora a interação com B. subtilis tenha apresentado efeitos variáveis, possivelmente devido à competição entre os microrganismos.
Considerações e Próximos Passos
Os pesquisadores destacam que, embora a coinoculação tenha mostrado benefícios, a otimização das doses e o entendimento das interações entre as bactérias são essenciais para maximizar os resultados. O estudo abre caminho para novas pesquisas que explorem essas relações em diferentes condições edafoclimáticas, contribuindo para o desenvolvimento de técnicas agrícolas mais eficientes e sustentáveis.
Para os agricultores do leste maranhense, os resultados oferecem uma alternativa viável para aumentar a produtividade do milho, reduzindo custos e impactos ambientais. A adoção dessas práticas pode representar um avanço significativo na agricultura regional, alinhando-se às tendências globais de sustentabilidade.
Autores e Instituições
O estudo foi conduzido por uma equipe multidisciplinar de pesquisadores:
- Vitória Abreu de Sousa – Universidade Federal do Maranhão (UFMA), Chapadinha, Brasil
- Gustavo Lima Pereira – Universidade Federal do Maranhão (UFMA), Chapadinha, Brasil
- Nailson Mateus Lima Rodrigues – Universidade Federal do Maranhão (UFMA), Chapadinha, Brasil
- Raimundo Leonardo Lima de Oliveira – Universidade do Estado de Mato Grosso, Cáceres, Brasil
- Ana Luisa da Conceição de Sousa Meeneses – Universidade Federal do Maranhão (UFMA), Chapadinha, Brasil
- José Henrique dos Santos Nascimento – Universidade Federal do Maranhão (UFMA), Chapadinha, Brasil
- Ângela Maria Campelo da Silva – Universidade Federal do Maranhão (UFMA), Chapadinha, Brasil
- Lis Lanni Oliveira Pereira – Universidade Federal do Maranhão (UFMA), Chapadinha, Brasil
- Letícia Maria Gomes de Sousa – Universidade Federal do Maranhão (UFMA), Chapadinha, Brasil
- Leane Castro de Souza – Universidade Federal Rural da Amazônia, Capitão Poço, Brasil
- Luma Castro de Souza – Universidade Federal do Maranhão (UFMA), Chapadinha, Brasil
- Nilvan Carvalho Melo – Instituto Federal do Amapá, Porto Grande, Brasil
- Raissa Rachel Salustriano da Silva-Matos – Universidade Federal do Maranhão (UFMA), Chapadinha, Brasil
- Maryzelia Furtado de Farias – Universidade Federal do Maranhão (UFMA), Chapadinha, Brasil
- Cândido Ferreira de Oliveira Neto – Universidade Federal Rural da Amazônia, Belém, Brasil
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