Estudo Alerta: Em Montes Claros (MG), 1 em Cada 12 Pacientes Recebe Prescrição Médica com Erro; Farmacêuticos Barram Riscos


Estudo Alerta: Em Montes Claros (MG), 1 em Cada 12 Pacientes Recebe Prescrição Médica com Erro; Farmacêuticos Barram Riscos

Publicado em: 11 de dezembro de 2025 às 6:30 (horário de Brasília)

Um estudo científico publicado na edição de 2025 da Revista Sociedade Científica revelou que farmacêuticos atuantes em uma drogaria privada de Montes Claros, Minas Gerais, identificaram e intervieram em erros de prescrição médica que afetavam 8,22% dos pacientes atendidos. A pesquisa, conduzida por sete pesquisadores do Centro Universitário UnifipMoc, analisou 900 receitas médicas entre março e agosto de 2025 e constatou que a ilegibilidade das prescrições foi o problema mais frequente, representando 4,7% de todos os erros encontrados.

O artigo original, intitulado “Erros de prescrição em drogaria privada de Montes Claros (MG): prevalência e atuação farmacêutica“, demonstra com dados concretos como a atuação clínica do farmacêutico na análise de prescrições é uma barreira essencial para a segurança do paciente. Em um caso documentado pelos pesquisadores, a intervenção farmacêutica foi decisiva para impedir a dispensação de uma receita ilegível do medicamento controlado metilfenidato (Ritalina), evitando um potencial evento adverso grave ao paciente.

“Embora a taxa geral de erros possa parecer baixa em um primeiro momento, cada erro identificado representa um risco evitado para a saúde de um cidadão”, explicam os autores no estudo. “A gravidade potencial de um único equívoco – especialmente envolvendo medicamentos de controle especial, pacientes idosos ou com múltiplas doenças – justifica plenamente a revisão sistemática das prescrições pelos farmacêuticos.”

Para a pesquisadora Roberta Noeli Soares Pereira e grupo de pesquisa, os dados refletem um desafio de saúde pública. “A prescrição médica é o principal instrumento de comunicação entre o médico e o paciente sobre o tratamento. Quando ela falha por ser ilegível, incompleta ou fora dos padrões legais, coloca em risco a eficácia da terapia e a própria segurança de quem depende do medicamento”, afirma.

Metodologia e Principais Achados da Pesquisa

Os pesquisadores adotaram uma abordagem mista, quantitativa e qualitativa, para analisar prescrições coletadas de forma anônima em uma drogaria da rede privada. Cada receita foi avaliada com base em critérios rigorosos, incluindo:

  • Legibilidade da escrita
  • Completude e adequação da dose prescrita
  • Clareza da posologia (como, quando e por quanto tempo tomar)
  • Correta identificação do médico prescritor (assinatura, carimbo, registro profissional)
  • Conformidade com a legislação sanitária vigente

A análise dos 900 documentos resultou na seguinte distribuição de erros:

  • Ilegibilidade: 43 prescrições (4,7%)
  • Erro ou ausência de dose: 12 prescrições (1,3%)
  • Inconformidade com a legislação: 10 prescrições (1,1%)
  • Erro ou ausência de posologia: 6 prescrições (0,6%)
  • Falta de identificação do prescritor: 3 prescrições (0,3%)

O estudo destaca que, além de quantificar os erros, observou a ação corretiva dos farmacêuticos. No caso da receita ilegível de metilfenidato, o farmacêutico não apenas recusou a dispensação – conforme obrigatório por lei – como também entrou em contato direto com o médico prescritor para esclarecer a prescrição e garantir que o paciente recebesse o tratamento de forma segura.

Considerações: O Farmacêutico como Garantia de Segurança

Nas conclusões do artigo, publicado na Revista Sociedade Científica, os pesquisadores são enfáticos: a atuação do farmacêutico na análise das prescrições vai muito além de uma verificação burocrática. Trata-se de uma prática clínica essencial para a promoção do uso racional de medicamentos e a prevenção de eventos adversos.

Os autores também apontam caminhos para melhorar o cenário, como:

  • Fortalecer a educação permanente de médicos sobre as normas de prescrição
  • Implementar sistemas de prescrição eletrônica, que reduzem drasticamente erros de legibilidade
  • Valorizar e integrar o farmacêutico nas equipes de atenção à saúde
  • Ampliar pesquisas sobre o tema em outros cenários, como hospitais e unidades básicas de saúde

O estudo tem limitações, como o fato de ter sido realizado em uma única drogaria privada, o que impede generalizações amplas. No entanto, seus resultados oferecem um retrato valioso de um problema real e apontam para a importância estratégica da assistência farmacêutica clínica no Brasil.

Autores e Instituição

O artigo é assinado por sete pesquisadores vinculados ao Centro Universitário UnifipMoc, em Montes Claros (MG):

  • Roberta Noeli Soares Pereira
  • Kleberson Pereira Nunes
  • Pedro Henrique Neves Paraíso
  • Priscila Fiuza Macedo Aquino
  • Renata Pereira Alves
  • Flávio Júnior Barbosa Figueiredo
  • Talita Antunes Guimarães

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Nota da Redação:

Acesso ao Artigo Original: O artigo completo “Erros de prescrição em drogaria privada de Montes Claros (MG): prevalência e atuação farmacêutica” está disponível para leitura e download gratuito no site da Revista Sociedade Científica: https://www.scientificsociety.net/2025/12/erros-de-prescricao-em-drogaria-privada-de-montes-claros-mg-prevalencia-e-atuacao-farmaceutica/.

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