Pesquisa Revela Impacto na Saúde Mental de Professores da Educação Básica em Rondonópolis


Pesquisa Revela Impacto na Saúde Mental de Professores da Educação Básica em Rondonópolis

Publicado em: 18 de novembro de 2025 às 19:52

 

Um estudo inédito realizado com professores da rede pública de educação básica de Rondonópolis-MT revela um cenário preocupante sobre a saúde mental desses profissionais. A pesquisa, publicada na Revista Sociedade Científica, identificou que fatores como sobrecarga de trabalho, falta de reconhecimento e esgotamento emocional estão entre os principais causadores de sofrimento no ambiente escolar.

O trabalho científico, intitulado “Saúde mental de professores da rede de educação básica: fatores de prazer e sofrimento no trabalho”, foi desenvolvido por pesquisadores da Universidade Federal de Rondonópolis (UFR) e contou com a participação de 31 professores de nove escolas estaduais. A investigação utilizou a Escala de Indicadores de Prazer e Sofrimento no Trabalho (EIPST), adaptada do Protocolo de Atenção à Saúde Mental e Trabalho.

Metodologia e Perfil dos Participantes

A pesquisa, realizada entre maio e agosto de 2024, envolveu professores com idades entre 25 e 54 anos, sendo 80,6% do sexo feminino e 19,4% do sexo masculino. O tempo de experiência dos participantes variou de 6 meses a 34 anos de atuação docente. Todos lecionavam nos anos finais do Ensino Fundamental ou no Ensino Médio em escolas públicas de Rondonópolis.

Os pesquisadores utilizaram uma abordagem mista, combinando análise quantitativa e qualitativa, para compreender tanto a frequência quanto a natureza das experiências de prazer e sofrimento no trabalho docente. A escala Likert de sete pontos permitiu categorizar as respostas em três níveis: satisfatório, moderado/crítico e grave.

Fatores de Prazer: Os Pontos Positivos que Sustentam a Profissão

Entre os aspectos positivos, destacam-se o orgulho pelo trabalho, com 77,4% dos professores classificando este item como satisfatório, e a solidariedade entre colegas, também com 77,4% de avaliação positiva. A identificação com as tarefas foi considerada satisfatória por 58,1% dos docentes, enquanto a realização profissional obteve 51,6% de avaliações positivas.

Estes dados indicam que, apesar das adversidades, os professores mantêm um forte vínculo afetivo com sua profissão e encontram significado em seu trabalho. A possibilidade de usar a criatividade também foi avaliada positivamente por 51,6% dos participantes, sugerindo que os docentes valorizam a autonomia pedagógica e a inovação em sua prática.

Fatores de Sofrimento: Os Desafios que Preocupam

No extremo oposto, os fatores de sofrimento revelam um cenário alarmante. A sobrecarga de trabalho foi classificada como grave por 38,7% dos professores e moderada por 45,2%. O esgotamento emocional foi considerado grave por 29% dos docentes e moderado por 42%. O estresse também se mostrou significativo, com 35,4% classificando-o como grave e 41,9% como moderado.

A falta de reconhecimento emerge como um dos principais problemas: 58,1% dos professores avaliaram como moderada a falta de reconhecimento do esforço, enquanto 54,8% classificaram da mesma forma a falta de reconhecimento do desempenho. A desvalorização foi considerada moderada ou grave por 71% dos participantes.

Análise dos Pesquisadores

De acordo com os autores do estudo, “os resultados apontam para a necessidade urgente de políticas públicas que abordem as causas sistêmicas dos fatores de sofrimento no trabalho docente”. Eles destacam que “a precarização das condições de trabalho, a sobrecarga burocrática, a pressão por resultados e a falta de apoio institucional são fatores que, quando somados, contribuem para o esgotamento emocional e o estresse dos professores”.

Os pesquisadores também chamam atenção para o fato de que “a falta de reconhecimento e valorização são reflexos de um sistema educacional que, historicamente, não prioriza o bem-estar dos profissionais de ensino”.

Considerações Finais e Recomendações

O estudo conclui que, embora os professores encontrem satisfação em aspectos como o orgulho profissional e as relações com colegas, os fatores de sofrimento representam desafios críticos que precisam ser enfrentados. Os pesquisadores recomendam a implementação de medidas como:

  • Criação de espaços de diálogo e apoio entre professores
  • Revisão das exigências burocráticas que geram sobrecarga
  • Valorização do esforço docente por meio de reconhecimento institucional
  • Desenvolvimento de políticas de promoção da saúde mental no ambiente escolar

Os autores enfatizam que “quando os professores estão desmotivados ou adoecidos, o processo de ensino e aprendizagem dos alunos é diretamente afetado, prejudicando a qualidade do trabalho”. Portanto, investir na saúde mental dos professores significa investir na qualidade da educação como um todo.

Autores e Instituição

O estudo foi desenvolvido por:

  • Willow de Souza – Universidade Federal de Rondonópolis (UFR)
  • Rebeca Ortiz Laroca – Universidade Federal de Rondonópolis (UFR)
  • Regisnei Aparecido de Oliveira Silva – Universidade Federal de Rondonópolis (UFR)

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Esta importante pesquisa foi publicada na Revista Sociedade Científica, um periódico comprometido com a divulgação de pesquisas relevantes para o avanço do conhecimento científico. Conheça a Edição Atual (2025) da revista e explore a Edição Anterior (2024). Para buscar conteúdo específico, utilize a ferramenta de Pesquisar na Revista.

Acesso ao Estudo Original

O artigo completo “Saúde mental de professores da rede de educação básica: fatores de prazer e sofrimento no trabalho” está disponível em: https://www.scientificsociety.net/2025/11/saude-mental-de-professores-da-rede-de-educacao-basica-fatores-de-prazer-e-sofrimento-no-trabalho/

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