Praias de Caraguatatuba sob alerta: estudo revela presença de helmintos na areia; pesquisadores apontam risco à saúde pública


 

Praias de Caraguatatuba sob alerta: estudo revela presença de helmintos na areia; pesquisadores apontam risco à saúde pública

📍 Um estudo conduzido por pesquisadores do Centro Universitário Módulo, em Caraguatatuba (SP), detectou contaminação por três espécies de helmintos nas areias das praias Indaiá e Martin de Sá. A pesquisa, publicada na Revista Sociedade Científica (vol. 9, 2026), acende um sinal de alerta para moradores, turistas e gestores públicos: das 50 amostras coletadas entre abril e outubro de 2024, 40% na Praia do Indaiá e 24% na Martin de Sá estavam positivas para parasitas como Ancylostoma spp., Strongyloides stercoralis e Ascaris lumbricoides. Os autores Rafael Picoli Martins e Karolina Dória reforçam que a areia pode ser uma via de transmissão de zoonoses, exigindo atenção das autoridades sanitárias.

A areia das praias não é apenas um espaço de lazer; pode ser também um reservatório de parasitas com potencial zoonótico. Foi o que constatou a investigação realizada pelos cientistas Rafael Picoli Martins e Karolina Marie Alix Benedictte Van Sebroeck Dória, ambos vinculados ao Centro Universitário Módulo (Caraguatatuba-SP). O objetivo do trabalho foi identificar a diversidade de helmintos em duas das praias mais frequentadas do litoral norte paulista: Indaiá e Martin de Sá.

O período de coleta abrangeu os meses de abril, maio, agosto, setembro e outubro de 2024, totalizando cinco campanhas e 50 amostras — 25 por praia. Em laboratório, os pesquisadores aplicaram o protocolo de Rugai adaptado para solo arenoso, metodologia consolidada para detecção de ovos e larvas de helmintos. A identificação das espécies seguiu o manual da Organização Mundial da Saúde (OMS).

Três espécies de parasitas na areia: o que isso significa?

Os resultados mostraram que a Praia do Indaiá apresentou 40% de positividade, enquanto a Martin de Sá registrou 24%. Ao todo, foram identificadas três espécies: Ancylostoma spp. (o mais prevalente, com 25 ocorrências em Indaiá e 15 em Martin de Sá), Strongyloides stercoralis (presente nas duas praias) e Ascaris lumbricoides (apenas na Praia do Indaiá). A tabela abaixo, adaptada do artigo original, detalha esses números.

Parasita Praia do Indaiá Praia Martin de Sá
Ancylostoma spp. 25 15
Ascaris lumbricoides 1 0
Strongyloides stercoralis 1 2

A presença de Ancylostoma spp. é particularmente preocupante: o parasita causador da ancilostomíase (amarelão) pode penetrar ativamente na pele humana, levando à larva migrans cutânea (bicho-geográfico). Já Strongyloides stercoralis e Ascaris lumbricoides são agentes de infecções intestinais graves, transmitidas pela ingestão ou penetração de larvas presentes no solo contaminado.

Por que isso acontece em Caraguatatuba?

A pesquisa aponta uma causa provável: a presença constante de cães nas praias, mesmo com placas proibindo o acesso desses animais. Como destacam os autores, “não há um programa para controlar a presença destes animais, evidenciando um fator de risco para a saúde pública”. Os cães atuam como reservatórios naturais de vários helmintos, eliminando ovos e larvas nas fezes depositadas na areia. Condições ambientais como temperatura e umidade — em Caraguatatuba o clima é tropical (Af, segundo Köppen), com médias térmicas elevadas e chuvas frequentes — favorecem o desenvolvimento e a sobrevivência das formas infectantes no solo.

Estudos similares reforçam esses achados. Calvopina et al. (2023) encontraram 27,4% de positividade em praias turísticas do Equador, com predomínio de Ancylostoma spp. (19,4%). No Brasil, Ramos et al. (2022) detectaram ovos da família Ascarididae em 47,6% das amostras de praias da região metropolitana do Recife. Esses números evidenciam que a contaminação por parasitas de solo não é um problema isolado, mas uma questão de saúde pública em escala nacional e global.

O que dizem os autores e especialistas

Os autores lembram que as geo-helmintíases (ascaridíase, tricuríase e ancilostomíase) afetam milhões de pessoas no mundo, causando anemia, desnutrição e comprometimento do desenvolvimento infantil, como descrevem Bethony et al. (2006) em publicação na revista The Lancet. No contexto local, Martins e Dória alertam: “A presença de três espécies de helmintos nas praias de Caraguatatuba representa um problema potencial de saúde pública, uma vez que ao menos dois grupos podem causar infecções parasitárias em moradores e turistas”.

Eles ainda enfatizam que o estudo oferece subsídios para que as autoridades locais e tomadores de decisão em saúde pública possam embasar políticas de controle, como a efetiva fiscalização da entrada de animais, campanhas educativas e monitoramento periódico da qualidade sanitária das areias.

Um alerta que pede ação

O artigo conclui que a areia das praias estudadas não pode ser considerada totalmente segura do ponto de vista parasitológico. A pesquisa, inédita na região com esse recorte, cumpre um papel crucial ao dar visibilidade a um risco invisível. Apesar de não apresentar soluções imediatas, oferece evidências robustas para que medidas preventivas sejam implementadas.

Em tempo: o trabalho foi publicado na edição de 2026 da Revista Sociedade Científica, periódico com foco em ciências da saúde, e está disponível gratuitamente para consulta.

👥 Autores:
Rafael Picoli Martins – Centro Universitário Módulo, Caraguatatuba-SP, Brasil.
Karolina Marie Alix Benedictte Van Sebroeck Dória – Centro Universitário Módulo, Caraguatatuba-SP, Brasil.

📘 Revista Científica: O artigo foi publicado na Revista Sociedade Científica, uma plataforma dedicada à divulgação de pesquisas originais em diversas áreas do conhecimento. A obra integra o volume 9, número 1, de 2026.

🔗 Acesse a edição atual (2026): Volume 9, Nº 1 (2026)  |
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