Estudo Revela Baixa Toxicidade Aguda do Veneno Botrópico de Referência Nacional


Estudo Revela Baixa Toxicidade Aguda do Veneno Botrópico de Referência Nacional

O envenenamento por serpentes peçonhentas é um problema de saúde pública significativo em todo o mundo. No Brasil, a Bothrops jararaca destaca-se como a serpente de maior importância médica. Um novo estudo publicado na Revista Sociedade Científica analisou a toxicidade oral e dérmica aguda do Veneno Botrópico de Referência Nacional (BraBot/005) em camundongos. Seguindo diretrizes do Sistema Globalmente Harmonizado de Classificação e Rotulagem de Produtos Químicos (GHS) e protocolos da OECD, os resultados indicaram que o BraBot/005 não apresenta sinais clássicos de envenenamento nos testes realizados.

Os animais expostos a doses de 1000 mg/kg e 2000 mg/kg apresentaram sinais de irritação na pele, com recuperação completa observada até o oitavo dia. Exames em órgãos de animais expostos a 2000 mg/kg (via oral e dérmica) não revelaram alterações patológicas. Com base nesses resultados, o veneno foi classificado como não apresentando potencial de toxicidade oral e dérmica aguda. O estudo ressalta a importância dessas descobertas para garantir a segurança no manuseio, descarte e transporte do veneno, fornecendo informações valiosas para a compreensão dos riscos potenciais associados à exposição ao BraBot/005.

Introdução ao Estudo

O envenenamento por serpentes representa uma doença tropical negligenciada, afetando significativamente a economia e a saúde em vários países. No Brasil, 28.601 casos foram notificados em 2017, com a Bothrops jararaca responsável pela maioria dos incidentes. O soro antibotrópico é o tratamento essencial para esses casos, sendo incluído na lista de medicamentos essenciais da Organização Mundial da Saúde (OMS).

O estudo teve como objetivo principal avaliar a toxicidade do veneno de referência, possibilitando futuras investigações sobre medidas de segurança para o manuseio e descarte de resíduos. A produção do antiveneno no Brasil é realizada por laboratórios públicos e distribuída gratuitamente à rede pública de saúde.

Considerações Finais

O estudo não identificou potenciais riscos toxicológicos associados ao manuseio do BraBot/005 em exposições agudas orais e dérmicas. No entanto, sinais de irritação dérmica foram observados em doses elevadas, sugerindo cautela ao lidar com o veneno. Os autores indicam a necessidade de estudos futuros, incluindo avaliação da irritação dérmica e ocular, além de toxicidade aguda inalatória e crônica.

Autores e Instituições

  • Fábio Henrique Dias Martins Lima, INCQS/FIOCRUZ, Rio de Janeiro, Brasil.
  • Gabriele Fátima de Souza, INCQS/FIOCRUZ, Rio de Janeiro, Brasil.
  • Maria Aparecida Affonso Boller, INCQS/FIOCRUZ, Rio de Janeiro, Brasil.
  • Igo Vieira de Souza, ICTB/FIOCRUZ, Rio de Janeiro, Brasil.
  • Margarida de Jesus Barboza Ribeiro, ICTB/FIOCRUZ, Rio de Janeiro, Brasil.
  • Armi Wanderley da Nóbrega, INCQS/FIOCRUZ, Rio de Janeiro, Brasil.

Publicado na Revista Sociedade Científica, volume 7, número 1, páginas 3180-3193, 2024.

Link para a obra original: Estudo da toxicidade aguda oral e dérmica do veneno Botrópico de referência nacional

Nota ao Leitor

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