Asma, diabetes, pressão alta e ansiedade aumentam risco de perda de olfato na COVID-19, revela estudo brasileiro
Publicado em 17 de abril de 2026 às 5h45 (Horário de Brasília)
Um estudo conduzido no Rio de Janeiro com 1.565 profissionais de saúde não vacinados identificou que pessoas com asma, hipertensão arterial, diabetes mellitus (sem complicações) e transtornos de ansiedade ou depressão têm até 73% mais chance de desenvolver perda de olfato e paladar durante a infecção pelo SARS-CoV-2. A pesquisa foi publicada na Revista Sociedade Científica (vol. 9, n. 1, 2026) e reforça a importância de monitorar grupos vulneráveis não apenas para formas graves da doença, mas também para sequelas sensoriais que comprometem a qualidade de vida.
Perda de olfato atinge 1 em cada 4 profissionais de saúde infectados
Entre os 698 trabalhadores da linha de frente que contraíram COVID-19 e responderam aos questionários de sintomas, 24,2% relataram distúrbios do olfato e/ou paladar. Embora a literatura aponte uma prevalência média de 44% em revisões anteriores, os autores explicam que a menor taxa observada pode estar ligada à diversidade étnica da população brasileira e ao uso de autorrelato, método que tende a subestimar o problema em comparação com testes psicofísicos objetivos. “A perda do olfato na COVID-19 pode ocorrer por inflamação das células de suporte do epitélio olfativo, por lesão imunomediada dos vasos ou até mesmo por obstrução mecânica. Mas o que faltava entender é por que alguns pacientes desenvolvem esse sintoma e outros não”, explica os autores.Quatro comorbidades independentes aumentam o risco
Após controlar por fatores como raça, idade e sexo, a análise multivariada mostrou que:- Asma aumentou a prevalência em 73% (PR = 1,73; IC95% 1,18–2,53);
- Diabetes mellitus sem complicações elevou o risco em 58% (PR = 1,58; IC95% 1,02–2,48);
- Hipertensão arterial associou-se a um aumento de 43% (PR = 1,43; IC95% 1,01–2,03);
- Ansiedade/depressão prévias aumentaram a chance em 55% (PR = 1,55; IC95% 1,13–2,13).
Por que asma e diabetes favorecem a disfunção olfativa?
A justificativa fisiopatológica está na inflamação crônica de baixo grau. A asma, frequentemente associada à rinite alérgica, cursa com liberação de citocinas como IL-4 e IL-13 na mucosa nasal, criando um ambiente que potencializa a inflamação induzida pelo coronavírus. Já o diabetes mellitus compromete a imunidade da mucosa nasal e a função endotelial, facilitando a entrada viral e a lesão dos neurônios olfatórios. No caso da hipertensão, a desregulação do sistema renina-angiotensina-aldosterona e a maior expressão da enzima ECA-2 no epitélio nasal explicam a vulnerabilidade. Quanto à ansiedade e depressão, os pesquisadores apontam mecanismos como neuroinflamação persistente, ativação microglial e até mesmo redução de 17% no volume do bulbo olfatório, uma alteração estrutural já descrita em pacientes deprimidos.Limitações e próximos passos
O estudo tem limitações importantes: a amostra incluiu apenas profissionais de saúde com condições clínicas controladas, excluindo aqueles com comorbidades graves (diabetes complicado, doenças renais, uso de imunossupressores). Além disso, o autorrelato dos sintomas pode ter introduzido viés de resposta, especialmente entre participantes com ansiedade/depressão. Mesmo assim, os autores afirmam que “as queixas subjetivas são altamente relevantes do ponto de vista do paciente e refletem diretamente a qualidade de vida”. “Precisamos urgentemente conhecer os indivíduos mais vulneráveis para discutir mecanismos de prevenção e tratamento dos distúrbios de olfato/paladar pós-virais”, escrevem os pesquisadores. Trabalhos futuros devem investigar outros vírus respiratórios e expandir a pesquisa para a população geral.📄 Sobre a publicação
O artigo “Asma, hipertensão, diabetes e ansiedade/depressão associados a perda de olfato na COVID-19” foi publicado na Revista Sociedade Científica (ISSN: 2595-8402), no volume 9, número 1, páginas 802-816, ano 2026. O trabalho está disponível com DOI: 10.61411/rsc2026128719. 🔍 Pesquisar na Revista | 📚 Edição atual (2026) | 📖 Edição 2025 | 📘 Edição 2024 🌐 Conheça a Mostra da Revista e acompanhe as últimas publicações nas áreas de Saúde Coletiva, Epidemiologia, Ciências da Saúde e muito mais.✍️ Convite para autores – publique seu artigo científico
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- Danielle de Araujo Torres – Instituto Fernandes Figueira (Fiocruz), Rio de Janeiro, Brasil.
- Thais Leonardo Delaere – Glia Neuropsicologia, Rio de Janeiro, Brasil.
- Amandine Marie Karine Vial Dupuy – Polyclinique Lyon Nord, Lyon, França.
- Ana Carolina Carioca da Costa – Instituto Fernandes Figueira (Fiocruz), Rio de Janeiro, Brasil.
- Cecília Hedin-Pereira – Fundação Oswaldo Cruz, Rio de Janeiro, Brasil.
- Daniella Campelo Batalha Cox Moore – Instituto Fernandes Figueira (Fiocruz), Rio de Janeiro, Brasil.
- Zilton Farias Meira Vasconcelos (coordenador) – Instituto Fernandes Figueira (Fiocruz), Rio de Janeiro, Brasil.
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