Capacitação de profissionais de apoio escolar fortalece inclusão em Trairi (CE)


Capacitação de profissionais de apoio escolar fortalece inclusão em Trairi (CE)

Publicado em: 04 de maio de 2026, às 11h00

Uma oficina de formação continuada realizada no município de Trairi, Ceará, pela Secretaria de Educação, conseguiu transformar a prática de profissionais de apoio escolar, fortalecendo a identidade desses agentes e ampliando estratégias concretas de inclusão. O estudo, publicado na Revista Sociedade Científica (vol. 9, n. 1, 2026), mostra que ações sistemáticas de capacitação são essenciais para garantir o direito à educação de estudantes público-alvo da Educação Especial.

Em um cenário onde a educação inclusiva avança como pilar central das políticas educacionais brasileiras, ainda persistem desafios à efetivação desse direito. Entre os maiores obstáculos estão a indefinição de funções, a falta de formação específica e o insuficiente reconhecimento institucional dos profissionais de apoio escolar. Foi justamente diante dessa realidade que a Secretaria de Educação de Trairi (CE) organizou uma oficina de formação continuada, cujos resultados foram agora analisados e publicados em um artigo científico que reforça a urgência e a eficácia dessas iniciativas.

O estudo, intitulado Inclusão na prática: a capacitação de profissionais de apoio escolar, de autoria de Erick Matheus Sales Pinto e da professora Claudia Maria Soares Rossi, reporta um relato de experiência de natureza qualitativa e descritiva, fundamentado na observação participante e no registro direto das atividades realizadas durante a oficina. Os pesquisadores envolveram profissionais que atuam diretamente no processo de inclusão na rede municipal de ensino de Trairi, aplicando uma metodologia inovadora que combinou estudo de casos, quiz interativo e uma dinâmica simbólica, a “Árvore dos Sentidos”.

Desafios e importância do profissional de apoio escolar

De acordo com a Lei Brasileira de Inclusão (Lei nº 13.146/2015) e a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (Lei nº 9.394/1996), todo estudante com deficiência tem direito a atendimento educacional especializado e, quando necessário, a profissional de apoio escolar. Contudo, a prática mostra que esses profissionais muitas vezes atuam sem diretrizes claras, com pouca ou nenhuma formação continuada e em condições de baixa valorização.

O relato evidencia que a falta de preparo do profissional de apoio pode, paradoxalmente, gerar situações de exclusão dentro da própria sala de aula, ao invés de promover autonomia. “A atuação do profissional de apoio deve ser compreendida como um esforço para romper com a lógica reprodutora do fracasso escolar”, escrevem os autores, referenciando a obra seminal de Maria Helena Souza Patto, “A Produção do Fracasso Escolar”. Nesse sentido, a oficina foi concebida não como um treinamento técnico isolado, mas como um espaço de reflexão crítica e fortalecimento identitário.

Metodologia ativa e participativa foi o diferencial

A oficina foi dividida em quatro momentos pedagógicos. O primeiro, de acolhimento e contextualização, promoveu leitura reflexiva sobre a relevância ética e legal do papel do profissional de apoio. Em seguida, a análise de casos colocou os participantes para resolver dilemas reais do cotidiano inclusivo, trabalhando em pequenos grupos e socializando diferentes estratégias. A terceira etapa, denominada validação do conhecimento, consistiu em um quiz lúdico no formato verdadeiro ou falso, que revisou atribuições e conceitos legais de forma descontraída. Por fim, a dinâmica “Árvore dos Sentidos” permitiu que cada profissional expressasse sua contribuição simbólica, termos como “acolhimento”, “respeito”, “paciência” e “dedicação” foram os mais registrados, compondo um mural coletivo.

Os resultados mostraram que essa estrutura participativa, alinhada à pedagogia da autonomia de Paulo Freire, gerou engajamento, troca de saberes e um fortalecimento notável do sentimento de pertencimento. Os profissionais passaram a compreender com mais clareza suas atribuições e limites de atuação, além de se sentirem reconhecidos como agentes indispensáveis à inclusão escolar.

O que a pesquisa conclui sobre a formação continuada

Nas considerações finais, os autores destacam que a experiência em Trairi – CE comprova que oficinas de capacitação são catalisadoras para o fortalecimento identitário e a valorização profissional. Mais do que repassar informações, a formação deve ser processual, interativa e baseada em metodologias ativas. Os pesquisadores recomendam que iniciativas formativas de caráter sistemático e contínuo sejam incorporadas de forma permanente no calendário educacional dos municípios, garantindo suporte institucional e reconhecimento do trabalho desses profissionais.

A inclusão efetiva não se realiza como um ato isolado, mas como uma construção coletiva e responsabilidade compartilhada”, concluem Pinto e Rossi. E acrescentam: a qualificação contínua do profissional de apoio é um componente inegociável do capital humano na educação.

O estudo também mobiliza contribuições da Psicologia Educacional e da Terapia Cognitivo-Comportamental, citando autores como Judith Beck e B.F. Skinner, para reforçar que estratégias de mediação, reforço positivo e ensino explícito de habilidades sociais são fundamentais na prática inclusiva.

📌 Sobre os autores:

Erick Matheus Sales Pinto – Instituto Federal de Minas Gerais (IFMG), Campus Arcos, Brasil

Claudia Maria Soares Rossi – Instituto Federal de Minas Gerais (IFMG), Campus Arcos, Brasil

O artigo foi publicado na Revista Sociedade Científica, periódico de destaque multidisciplinar que promove a divulgação de pesquisas originais e relatos de experiência com rigor científico. A obra está disponível no volume 9, número 1, de 2026, e pode ser acessada por meio do DOI: 10.61411/rsc2026132019.

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📄 Acesso à obra original:

Os leitores podem acessar o artigo completo “Inclusão na prática: a capacitação de profissionais de apoio escolar” diretamente no endereço:
https://www.scientificsociety.net/2026/05/inclusao-na-pratica-a-capacitacao-de-profissionais-de-apoio-escolar/.

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