Estudo Revela Perfil e Motivações de Jovens e Adultos que Consomem Multivitamínicos no Brasil


 

Estudo Revela Perfil e Motivações de Jovens e Adultos que Consomem Multivitamínicos no Brasil

Publicado em: 2 de dezembro de 2025, às 21:20

 

Uma pesquisa publicada na Revista Sociedade Científica, em sua edição de 2025, traz um retrato detalhado sobre quem são, por que e como jovens e adultos brasileiros estão utilizando suplementos multivitamínicos. O estudo, conduzido por pesquisadores da Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP) e do Centro Universitário Saúde ABC/Faculdade de Medicina do ABC, entrevistou 196 pessoas e revelou que a indicação médica é a principal razão para o uso (43%), seguida pela busca por melhora na imunidade (32%) e suplementação alimentar (32%). A maioria dos usuários é do sexo feminino (73%), jovem (47% entre 18 e 24 anos) e residente no estado de São Paulo, apontando para um perfil específico de consumo que combina cuidado com a saúde, acesso a informação e poder aquisitivo.O trabalho, intitulado “Consumption of multivitamins and minerals among youth and adults“, vai além de simples estatísticas. Ele contextualiza o fenômeno no cenário pós-pandemia, onde a conscientização sobre saúde e prevenção ganhou força, e discute criticamente se o uso desses suplementos está baseado em evidências científicas ou impulsionado por marketing. Os dados coletados indicam que, embora 56% dos entrevistados tenham usado multivitamínicos nos últimos seis meses, o uso tende a ser “agudo” (2 a 3 meses para 24%), sugerindo uma busca por soluções pontuais para necessidades específicas de saúde, e não um hábito permanente.

Um Retrato do Consumidor de Multivitamínicos no Brasil

A pesquisa, de natureza transversal, coletou dados entre setembro e novembro de 2023 por meio de questionários online distribuídos em redes sociais. A amostra, embora concentrada geograficamente, apresenta diversidade socioeconômica, permitindo insights valiosos. Conforme detalhado na Tabela 1 do artigo, a renda dos participantes variou significativamente, com 27% recebendo mais de R$ 6.000,00 mensais e 14% abaixo de um salário-mínimo da época (R$ 1.320,00). A maioria (88%) possuía ensino superior completo ou incompleto, e 82% tinham plano de saúde privado, um fator que pode facilitar o acesso à orientação profissional e aos próprios suplementos.

Quando o foco é direcionado especificamente para o consumo de multivitamínicos, os números são elucidativos:

  • Duração do Uso: 24% usaram por 2 a 3 meses (período mais comum), enquanto 22% nunca consumiram.
  • Benefícios Percebidos: Melhora na imunidade e no desempenho físico lideram as respostas (27% cada), mas 20% não notaram nenhuma diferença.
  • Motivações para o Uso: Além da indicação médica, destacam-se “buscar uma vida mais saudável” (26%), “crença nos benefícios” (20%) e “prevenção de doenças” (17%).
  • Na Hora da Compra: O critério mais importante é a recomendação médica (51%), seguido pelo custo-benefício (17%) e pela sugestão do farmacêutico (10%).

Estilo de Vida: Atividade Física e Dieta em Foco

O estudo também traçou um panorama do estilo de vida dos participantes, fatores intrinsecamente ligados à decisão de suplementar. A prática regular de atividade física foi reportada por 68% dos entrevistados, sendo a musculação (35%) e a caminhada (22%) as modalidades mais populares. No entanto, um dado chama a atenção: 74% dos participantes não associam o uso de multivitamínicos à sua rotina de exercícios. Isso contrasta com a tendência internacional observada em atletas e sugere que, para essa amostra brasileira, os suplementos são vistos mais como um adjuvante geral à saúde do que um recurso ergogênico específico.

Em relação à alimentação, a maioria (53%) declarou consumir predominantemente alimentos minimamente processados, seguidos por processados (31%). Apenas 3% relataram basear sua dieta em ultraprocessados. Paradoxalmente, entre este pequeno grupo que tem uma dieta de pior qualidade, apenas 24% fazem uso de suplementação. Esse achado, discutido pelos autores, levanta a hipótese do fenômeno “worried well” (“saudáveis preocupados”): seriam justamente as pessoas com hábitos mais saudáveis – e, em tese, com menor necessidade – as mais propensas a buscar suplementação, possivelmente influenciadas por acesso à informação e poder aquisitivo.

Discussão e Considerações Finais: Suplementação com Base na Ciência

Na seção de discussão, os autores, liderados por Bianca Oliveira Silva e Fernando Luiz Affonso Fonseca, vão além dos dados e contextualizam os achados à luz da literatura nacional e internacional. Eles destacam que, embora o uso de multivitamínicos seja globalmente alto, as evidências científicas sobre seus benefícios para populações saudáveis são mistas. Alertam para o risco de a automedicação, muitas vezes baseada em informações de redes sociais ou marketing agressivo, levar a desequilíbrios nutricionais ou mascarar deficiências alimentares que deveriam ser corrigidas pela dieta.

As considerações finais do artigo reforçam a importância central de uma dieta balanceada como a principal ferramenta para a prevenção de deficiências nutricionais. Os multivitamínicos têm um papel crucial, mas devem ser entendidos como complementares, e não substitutos, da alimentação. O estudo conclui enfatizando a necessidade de orientação profissional qualificada para a suplementação, que deve ser individualizada e baseada em evidências, considerando o estado de saúde, estilo de vida e contexto socioeconômico de cada pessoa.

Autores do Estudo

O artigo é assinado por uma equipe multidisciplinar de pesquisadores vinculados a instituições de excelência:

  • Bianca Oliveira Silva – Departamento de Ciências Farmacêuticas, Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP), Diadema, SP.
  • Davi Vantini – Laboratório de Análises Clínicas do Centro Universitário Saúde ABC/FMABC, Santo André, SP.
  • Gustavo Tomio Kinsui – Laboratório de Análises Clínicas do Centro Universitário Saúde ABC/FMABC, Santo André, SP.
  • Enzo Shintaku – Laboratório de Análises Clínicas do Centro Universitário Saúde ABC/FMABC, Santo André, SP.
  • Samantha Sanches de Carvalho – Laboratório de Análises Clínicas do Centro Universitário Saúde ABC/FMABC, Santo André, SP.
  • Glaucia Raquel Luciano da Veiga – Laboratório de Análises Clínicas do Centro Universitário Saúde ABC/FMABC, Santo André, SP.
  • Beatriz da Costa Aguiar Alves Reis – Laboratório de Análises Clínicas do Centro Universitário Saúde ABC/FMABC, Santo André, SP.
  • Thais Moura Gascón – Laboratório de Análises Clínicas do Centro Universitário Saúde ABC/FMABC, Santo André, SP.
  • Edimar Cristiano Pereira – Departamento de Ciências Farmacênicas, UNIFESP, Diadema, SP.
  • Fernando Luiz Affonso Fonseca – Departamento de Ciências Farmacêuticas, UNIFESP, Diadema, SP; e Laboratório de Análises Clínicas do Centro Universitário Saúde ABC/FMABC, Santo André, SP.

Publicado na Revista Sociedade Científica

Este importante estudo foi publicado na Revista Sociedade Científica, um periódico de acesso aberto comprometido com a disseminação de conhecimento científico de qualidade. A revista abrange diversas áreas do conhecimento e é um veículo reconhecido para pesquisadores nacionais e internacionais.

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